segunda-feira, 11 de junho de 2012


Rejane Terena

Indígena formada em Enfermagem pela UEMS apresenta trabalho acadêmico em congresso na França

Montpellier, França. É esse o destino de mais uma egressa indígena da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) que dá mais um passo importante em sua vida profissional. Rejane Miguel da Silva que foi aluna do curso de Enfermagem da UEMS/Dourados, recebendo apoio do Programa Rede de Saberes durante a graduação, participa do 13th Congress of the International Society of Ethnobiology (ISE 2012), que acontece no período de 20 a 25 de maio de 2012.
26/05/2012

Dourados informa/FB

Montpellier, França. É esse o destino de mais uma egressa indígena da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) que dá mais um passo importante em sua vida profissional. Rejane Miguel da Silva que foi aluna do curso de Enfermagem da UEMS/Dourados, recebendo apoio do Programa Rede de Saberes durante a graduação, participa do 13th Congress of the International Society of Ethnobiology (ISE 2012), que acontece no período de 20 a 25 de maio de 2012.

A enfermeira apresenta no evento o trabalho intitulado “The use of medicinal plants in the healing process in Terena communities in Mato Grosso do Sul” – (O uso das plantas medicinais e o processo de cura nas comunidade Terena de Mato Grosso do Sul). “Esta é uma oportunidade para mostrar a sabedoria dos usos das plantas consideradas medicinais pelo povo Terena, cujos conhecimentos passam de geração a geração”, diz.
Este trabalho foi elaborado como pré-projeto para ingresso no curso de Mestrado na UnB e agora foi aprovado para ser apresentado neste importante evento da área da Etnobiologia.

Fonte: http://www.midiamax.com

O povo Kinikinau

SITUAÇÃO ATUAL



Durante muito tempo, foi negada pelo próprio órgão indigenista, primeiramente o SPI e depois a Funai, a possibilidade de se identificarem como Kinikinau, pois eram obrigados pelos chefes de posto a se registrarem como Terena. Em 1997, a Prefeitura de Porto Murtinho, através da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes, iniciou um trabalho de Educação Escolar na Reserva Indígena Kadiwéu com a perspectiva da implantação de escolas que atendessem às necessidades de cada aldeia: Bodoquena, Barro Preto, Campina, São João e Tomázia.
Na aldeia São João, entre 1997 e 99 foram realizadas reuniões e debates sobre a escola que os índios desejavam, verificando-se que a maioria rejeitava um tratamento igual àquele oferecido aos Kadiwéu. Isso levou a se pensar, então, em uma escola que atendesse a índios Terena, o que também foi rejeitado pelo grupo. Evidente que esse fato causou muita estranheza e, ainda que timidamente, os Kinikinau começaram a expressar a partir desse episódio uma identidade étnica distinta.
Durante as reuniões verificou-se que se identificar como Terena representou, durante muito tempo, uma das estratégias utilizadas pelo grupo Kinikinau para sobreviver a toda sorte de perseguições a que foi submetido. Segundo o professor Inácio Roberto Kinikinau, eles lutam até hoje para provar que existem e que têm direito à terra, educação e identidade:Assim como outros índios, nós também estamos alcançando o direito de dar aulas para nosso povo. Eu espero que o estudo signifique a valorização cultural e mais respeito para os Kinikinaus. Por isso, deixo uma mensagem para outros índios que também estão em sala de aula: é preciso persistência, muita luta e quando ficar muito, muito difícil continuar, pense nos seus filhos, nos seus netos e no seu povo! Nas nossas palavras, hinga ûti koinukunoen hainiye ûti xo mêun (Revista Nova Escola, 2004).
Três Kinikinau fizeram parte do Curso de Formação de Professores Kadiwéu e Kinikinau oferecido pela Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer de Porto Murtinho, entre os anos de 2002 e 2004. Dois deles concluíram com êxito o referido curso: Inácio Roberto e Rosaldo de Albuquerque Souza.
Em 2003, o professor Inácio Roberto participou de pelo menos dois eventos de repercussão nacional em que manifestou a existência de seu grupo: I Encontro Nacional dos Povos Indígenas em Luta pelo Reconhecimento Étnico e Territorial (Olinda/ PE, 15 a 19/05/2003) e Seminário dos Povos Resistentes: A presença indígena em MS (Corumbá/MS, 10 a 12/12/2003). Nesses encontros, o professor indígena e ex-policial militar falou sobre a difícil luta que os Kinikinau têm travado para serem conhecidos e oficialmente reconhecidos pelo Estado brasileiro. Há poucos estudos lingüísticos e de caráter histórico e antropológico, destacando-se os trabalhos de Doutorado em curso de Ilda de Souza (Lingüística) e de Iara Quelho de Castro (Ciências Sociais), ambos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Os Kinikinau reconstruíram suas vidas longe das terras tradicionalmente ocupadas pelo grupo. Entretanto, sem território físico próprio, com a língua em processo de revitalização e distantes de maior interesse acadêmico, esses índios só puderam se apoiar na Educação Escolar para atingir seus objetivos de visibilidade e aceitação. Acreditam que somente uma escola que esteja a serviço do próprio grupo poderá se constituir como um dos caminhos para a consecução desses objetivos.
Assim, o Curso de Formação de Professores Kadiwéu e Kinikinau constituiu-se um verdadeiro espaço de fronteiras simbólicas e/ ou identitárias. Seja nas aulas de Antropologia Cultural, História ou Geografia, os Kinikinau, mais do que os próprios Kadiwéu, demonstraram o desejo de conhecer, debater e compreender questões relacionadas à etnicidade, à identidade étnica e ao território. Assim, os Kinikinau presentes ao Curso puderam perceber que, apesar de estarem na mesma categoria relacional que os Kadiwéu, ou seja, de “índios”, não eram os mesmos indígenas que os remanescentes Mbayá-Guaikuru.

Embora tenham sido, durante muito tempo, confundidos com os Terena, os Kinikinau concebem-se diferentes destes e de quaisquer outros membros de sociedades indígenas. As armas de que dispõem para lutar pelo reconhecimento étnico e territorial serão escolhidas pelo próprio grupo e poderão envolver a manutenção do uso da língua Kinikinau e a atualização de tradições há tempos em desuso, como a Dança do Bate-Pau, também presente entre os Terena.
Das discussões oferecidas pelo Curso de Formação de Professores pode-se destacar as que versaram sobre identidade étnica e territorialidade propostas em conjunto pelos professores das disciplinas de Antropologia Cultural, Geografia e História. Os alunos Kadiwéu fazem parte de um grupo que possui o usufruto de mais de 500 mil hectares de terras demarcadas e homologadas desde a década de 1980. São conhecidos e reconhecidos pela inconfundível cerâmica produzida pelas mulheres e pelo passado de “índios cavaleiros”. Sobre eles existe ampla bibliografia de cunho histórico e antropológico e mais recentemente alguns trabalhos em áreas diversas do conhecimento. Com os alunos Kinikinau a situação é praticamente oposta: além de não possuírem terras demarcadas, não são reconhecidos pelo órgão indigenista oficial brasileiro e os poucos livros que se referem a eles os tratam como um grupo extinto. De um lado, os Kadiwéu altivos e conscientes de sua importância no cenário étnico sul-mato-grossense e brasileiro; de outro, os Kinikinau, em menor número, mas muito determinados a se fazerem ver e serem respeitados enquanto grupo étnico, o que implica, entre outras coisas, o reconhecimento por parte do Estado brasileiro.
A busca por esse reconhecimento oficial tem suma importância para os Kinikinau nos dias de hoje em sua luta na reconquista de territórios tradicionais. O caminho para se chegar a estes passa pela identificação da sociedade envolvente, uma vez que o processo de auto-identificação já se encontra em andamento.
Uma outra situação está latente entre os dois grupos que coabitam a Reserva Indígena Kadiwéu: os Kadiwéu permitem que os Kinikinau permaneçam em suas terras, no entanto rejeitam quaisquer propostas de ampliação de limites da aldeia São João. Os Kinikinau estão preocupados com o futuro, pois já não são apenas 12 pessoas (como afirma o ancião Leôncio Anastácio quando da chegada dos “pioneiros”) e a população provavelmente acompanhará o ritmo de crescimento demográfico observado em muitos outros grupos indígenas no Brasil, necessitando de mais terras para sobreviver. Entretanto, o desejo que se torna imperioso entre eles é o de terem um “lugar Kinikinau” onde possam reconstruir a memória do grupo, institucionalizando o espaço através dos ritos e dos mitos, assegurando, dessa forma, a continuidade da presença histórica Kinikinau.
Recentemente, a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul, com recursos do Programa Fome Zero Indígena, organizou o Seminário Povo Kinikinawa: Persistindo a Resistência. Cerca de quarenta indígenas Kinikinau, entre crianças, jovens, adultos e idosos estiveram reunidos na Pousada Águas de Bonito entre os dias 16 e 18 de junho de 2004. Juntos, puderam debater sobre a situação atual em que vivem e elaboraram um documento, a Carta de Bonito, em que exigem, dentre outras reivindicações, reconhecimento oficial da existência da etnia por parte do Estado brasileiro. Durante os três dias de encontro receberam informações dos professores Giovani José da Silva e José Luiz de Souza a respeito das terras tradicionais dos Kinikinau e noções de Antropologia, Direito, Geografia e História.
A presença e a participação dos professores Kinikinau foi de suma importância para o encaminhamento das decisões tomadas pelo grupo. Acredita-se que a Educação Escolar poderá desempenhar um importante papel como espaço da afirmação da identidade étnica dos Kinikinau de Mato Grosso do Sul, pois, como a ave fênix, esses índios renascem das próprias cinzas, buscando provar que estão vivos e que possuem direitos históricos que até o momento lhes foram negados:
Para garantir o nosso futuro, precisamos que toda sociedade saiba que somos Kinikinau. E, como povo, queremos principalmente voltar para o nosso território de origem, para que tenhamos a garantia da sobrevivência digna, com saúde e com uma escola específica para nosso povo e dirigida por nós mesmos (Seminário Povos Resistentes, 2004).
01:: Nicolau Flores e a carteira de identidade Kinikinau de Inácio Flores.Foto: José Luiz de Souza, 2004.
Giovani José da Silvagiovanijosedasilva@ig.com.brAntropólogo e Doutor em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG)
José Luiz de Souzasouzajlgeo@bol.com.brSociólogo e Geógrafo, mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Maio 2005


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Interessante, como Biólogo é bom saber a idade e o tamanho fetal. São fases da vida.
[Size=18] Tempo da Gestação (em semanas) Comprimento do feto.

05 0,2 cm      24 30 cm
Biólogo Kinikinau.
06 0,3 cm      25 32 cm
07 0,8 cm      26 33 cm
08 1,2 cm      27 34 cm
09 02 cm       28 35 cm
10 04 cm       29 37 cm
11 06 cm       30 39 cm
12 08 cm       31 40 cm
13 10 cm       32 41 cm
14 13 cm       33 42 cm
15 15 cm       34 44 cm
16 17 cm       35 45 cm
19 22 cm       36 47 cm
20 24 cm       37 48 cm
21 26 cm       38 49 cm
22 28 cm       39 50 cm
23 29 cm       40 51 cm


Atenção! 
Estes números servem apenas como referência, podendo ocorrer uma pequena variação para mais ou para menos. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Call for Individual Contributions to 13th ISE Congress


The call for individual contributions to the 13th ISE Congress in Montpellier France (20-25 May 2012) is now open. All proposals should be submitted via the online form, unless this poses a hardship due to limited internet access. If you require a paper version of the form, please contact theCongress organizers with this request.
When you begin the online form you will be asked to create a user account. This is the same account that you will use to register for the Congress (beginning in late September), so please retain your account information.

http://ethnobiology.net/congresses/future-congresses/call-for-individual-contributions-to-13th-ise-congress/

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Ministro Wagner Rossi declara haver indios nômades no Mato Grosso do Sul

Amigos(as) e companheiros(as) da justiça social num país plural.

Enquanto a cidade parece anestesiada pelos mega shows e o brilho da exposição agropecuária, nem parece a Dourados tão marcada pela corrupção de suas lideranças políticas, que motivou a prisão do executivo municipal e quase todos os vereadores, em tempos não tão distantes. Ao mesmo tempo estão em curso uma nova onda contra a demarcação das terras indígenas. Aos índios resta o duro caminho do retorno às suas terras, a interdição de rodovias, a denúncia nacional e internacional da violação de seus direitos.

Abraços

Egon

Terra Indígena e Exposição



Dourados se agita. O agronegócio ferve. Só alegria. Até parece que a choradeira pela perda de safra pelo excesso de chuva, preço baixo dos grãos e do etanol, alto preço dos insumos e agrotóxicos...e outros tantos fatores alegados para garantir gordos lucros ficam na prateleira da expoagro. O que importa é admirar a beleza dos bois, as novidades da tecnologia, ouvir cantores famosos, saborear discursos ufanistas dos milhões que rende o agronegócio . Tudo isso, como diz o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi “numa das terras mais abençoadas por onde passou, porque é fértil e voltada para a agricultura” ( Diário do MS 16/05/11). Na mesma ocasião o ministro soltou uma pérola muito do agrado do público presente à abertura da 47ª Expoagro . Referindo-se aos índios Guarani disse “Temos que combater essa política que pretende beneficiar nômades, que não possuem nenhuma vinculação histórica com as terras produtivas do Mato Grosso do Sul”. (Diário do MS, idem)



Senhor Ministro, seria tão bom que o senhor antes de se referir a questões tão sérias e profundas como a vinculação e relação do povo Kaiowá Guarani com suas terras e território, buscasse uma boa assessoria. Assim evitaria entrar para a história como repetidor de estereótipos preconceituosos e interesseiros, como o acima referido.





Palanques anti indígena

Voltamos a ver uma nova onda anti-indigena no Mato Grosso do Sul. Todos os palanques servem para questionar a demarcação das terras indígenas, a atuação da Funai e das entidades e pessoas que apóiam essa causa. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB, manifestou sua preocupação com as posições do Ministro da Agricultura, estampada nos jornais regionais. O movimento indígena nacional assumiu a questão da demarcação das terras indígenas no Mato Grosso do Sul como prioridade, depois de conquistada a homologação da Raposa Serra do Sol, em Roraima.



Só faltaria o deputado Aldo Rabelo desfilar com sua proposta devastadora de Código Florestal, para o delírio do agronegócio.



Seminário Demarcação de Terras



O Conselho Nacional de Justiça realiza, em Dourados /MS, o seminário "Demarcação de Terras Indígenas e o Papel do Poder Judiciário ". O evento acontece de 25 a 26 de maio, no Auditório do Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran). O objetivo é discutir e propor soluções jurídicas sobre a questão indígena no Mato Grosso do Sul .



Conforme organizadores, essa será uma oportunidade para avançar em soluções concretas para o grave problema da demarcação das terras indígenas no Estado. Na mesma direção vão as sugestões do deputado Laerte Tetila ( que escreveu um livro sobre Marçal Tupã’i), declarou que apresentará, em breve, um projeto na Assembléia Legislativa do Estado propondo a criação de um funde de Terra que servirá para indenizar as propriedades de boa fé, incidentes em terras indígenas. O que aliás não é nenhuma novidade. Já foram apresentados dois projetos na Assembléia, já há alguns anos.

O professor e historiador Antonio Brand, se manifesta bastante cético com relação a soluções efetivas para as terras indígenas no Mato Grosso do Sul “Já perdemos tempo demais. É difícil acreditar que todas essas iniciativas vão levar a alguma solução efetiva”.



Há poucos dias estivemos na comunidade da Terra Indígena Nhanderu Marangatu, município de Antonio João. Trata-se de uma das realidades mais gritantes, que expõem as contradições entre a lei e a negação da Constituição. Essa terra foi demarcada em 2004 e homologada pelo então presidente Lula, em 2005. Nesse mesmo ano o ministro do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, suspendeu liminarmente a ato do presidente da República. Foi prometido agilidade no julgamento do mérito da ação. Mais de 1.000 Kaiowá se encontram confinados em 127 hectares, submetidos a constantes ameaças, pressões e violência. Já se passaram quase seis anos e nada de julgamento. O atual relator do processo é o ministro Gilmar Mendes. Até quando, senhores ministros?

Aos Kaiowá Guarani e Terena já nada mais resta, a não ser pressionar de todas as formas e contar com a solidariedade nacional e internacional para se chegar o quanto antes a solucionar essa situação que envergonha o nosso país.



Egon Heck

Movimento Povo Guarani Grande Povo

Dourados, 19 de maio de 2011

sábado, 26 de março de 2011

Abertura do mestrado

http://www.unbcds.pro.br/arquivo_publico/Image/popup.gif

Pela primeira vêz um indio Kinikinau mestrando

Olá queridos amigos que de vez em quando passam por aqui. Sou indígena da etnia Kinikinau e tenho um grande sonho de continuar estudando, já que saí de minha comunidade com essa finalidade. No final do ano passado, 2010, conclui a Biologia e no começo de 2011 fiz a seleção para o mestrado da UNB e para minha surpresa, já estou aqui.
Quero que você meu amigo e irmão indígena, seja um sonhador, a única coisa que ninguém vai nos roubar é o nosso sonho e o mais gostoso é ver que ele se realiza a cada dia na vida de um grande sonhador.
Confira tudo aí no link do cds UNB.